Brasil

Fenícios no Brasil

Os fenícios estabeleceram-se nas margens orientais do Mediterrâneo, na fina e fértil faixa situada entre o mar e os montes Líbano e Antilíbano. A pequenez de seu território, a presença de vizinhos poderosos, e a existência de muita madeira de cedro (boa para a construção naval), nas florestas das montanhas, parecem ter sido fatores adicionais que orientaram a civilização fenícia para o mar.

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     Construíram frotas numerosas e poderosas. Visitaram as costas do norte da África e todo o sul da Europa, comerciaram na Itália, penetraram no ponto Euxino (mar Negro) e sairam pelas Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar), tocando o litoral atlântico da África e chegando até as ilhas do Estanho (Inglaterra). Comerciando sempre, construiram entrepostos e armazéns ao longo de suas rotas. Quando podiam saqueavam e roubavam, mas evitavam os enimigos poderosos, que preferiam enfraquecer mais pelo ouro do que pela espada. Seus agentes e diplomatas não eram estranhos a quase todas as guerras travadas na época, e delas tiravam bom proveito. Fizeram o périplo africano, seguindo em sentido inverso ao caminho que percorreria Vasco da Gama muito mais tarde. E as provas se acumulam para confirmar que atravessaram o Atlântico e visitaram o novo continente. Os fenícios navegavam utilizando a técnica de orientação pelas estrelas, pelas correntes marinhas e pela direção dos ventos, e seguindo esses indícios seus capitães cobriam vastas distâncias com precisão. Já eram influentes por volta do ano 2000 a.C., mas seu poder cresceu com Abibaal (1020 a.C.) e Hirã (aliado de Salomão). Biblos, Sidon e Tiro foram sucessivamente capitais de um império comercial de cidades unidas antes pelos interesses, costumes e religião do que por uma estrutura política mais rígida.

         Sobre o Brasil:

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Pedra do Ingá, na Paraíba

      O Brasil está repleto de indícios comprobatórios da passagem dos fenícios, e tudo indica que eles concentraram sua atenção no nordeste. Pouco distante da confluência do rio Longá e do rio Parnaíba, no Estado do Piauí, existe um lago onde foram encontrados estaleiros fenícios e um porto, com local para atracação dos “carpássios” (navios antigos de longo curso).

       Subindo o rio Mearim, no Estado do Maranhão, na confluência dos rios Pindaré e Grajaú, encontramos o lago Pensiva, que outrora foi chamado Maracu. Neste lago, em ambas as margens, existem estaleiros de madeira petrificada, com grossos pregos e cavilhas de bronze. O pesquisador maranhense Raimundo Lopes escavou ali, no fim da década de 1920, e encontrou utensílios tipicamente fenícios.

       No Rio Grande do Norte, por sua vez, depois de percorrer um canal de 11 quilômetros, os barcos fenícios ancoravam no lago Extremoz. O professor austríaco Ludwig Schwennhagen estudou cuidadosamente os aterros e subterrâneos do local, e outros que existem perto da vila de Touros, onde os navegadores fenícios vinham a ancorar após percorrer uns 10 quilômetros de canal. O mesmo Schwennhagen relata que encontrou na Amazônia inscrições fenícias gravadas em pedra, nas quais havia referências a diversos reis de Tiro e Sidon (887 a 856 a.C.).

       Schwennhagen acredita que os fenícios usaram o Brasil como base durante pelo menos oitocentos anos, deixando aqui, além das provas materiais, uma importante influência lingüística entre os nativos.

       Nas entradas dos rios Camocim (Ceará), Parnaíba (Piauí) e Mearim (Maranhão), existem muralhas de pedra e cal erguidas pelos antigos fenícios.

       Apollinaire Frot, pesquisador francês, percorreu longamente o interior do Brasil, coletando inscrições fenícias nas serras de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Bahia. As inscrições reunidas são tantas que “ocupariam vários volumes se fossem publicadas”, segundo declaração do próprio Frot.

       A condição de potência econômica, de cujo comércio as demais dependiam, deu à Fenícia uma certa estabilidade que lhe permitiu existir tanto tempo sem possuir fortes exércitos. Sobreviveu à hegemonia egípcia, síria e assíria, e depois também ao domínio persa. Eis que finalmente chegou um elemento racialmente estranho, na forma dos invasores da Europa, e a Fenícia finalmente baqueou, primeiro sobre a invasão dos gregos de Alexandre magno e depois debaixo do poderio das legiões romanas.Sua tradução faz referência às obras dos fenícios no Brasil, à atividade comercial que aqui vinham exercer e ao afundamento da Atlântida. Algumas inscrições revelam que, em virtude dos abalos sofridos, os sobreviventes da Atlântida foram para o norte da África fundar os impérios do Egito e várias nações do Oriente Médio. Falam ainda do dilúvio bíblico que, segundo eles, não foi universal, mas apenas um cataclisma local, na Mesopotâmia, fato esse que os cientistas aceitam hoje em dia.

       Com a guerra, interrompeu-se o comércio, e as colônias e entrepostos distantes, abandonados à própria sorte, começaram a ser destruídos pelas populações locais. Naquelas regiões, por demais afastadas para permitir a volta à metrópole, as populações regrediram a um estado primitivo. Isto é apenas teoria, mas explicaria os selvagens louros e de constituição física diversa que encontramos em algumas tribos indígenas brasileiras da Amazônia. Explicaria também a pele clara e o grande número de vocábulos fenícios no linguajar dos índios tiriós.

 

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Inscrição da  Pedra lavrada, Jardim do Seridó (RN)

Cartago, a maior das colônias da Fenícia, sobreviveu e prosperou até herdar da antiga metrópole o comércio pelo mar. É Heródoto que nos conta que “o Senado de Cartago baixou decreto proibindo sob pena de morte que se continuassem fazendo viagens para esse lado do Atlântico” (Américas) “já que a contínua vinda de homens e de recursos estava despovoando a capital”.

       E há, finalmente, a famosa inscrição da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, bastante conhecida: Aqui Badezir, rei de Tiro, primogênito de Jetbaal.

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O Povo Perdido da Amazônia

Embora seja desconhecida pelos próprios brasileiros, Miracangüera provoca polêmica no mundo inteiro. A cerâmica encontrada na região mostra que uma cultura desconhecida habitou a Amazônia.

Uma grande necrópole indígena contendo grande quantidade de peças de cerâmica com incrível perfeição foi descoberta casualmente pelo explorador João Barbosa Rodrigues, um dos pesquisadores mais completos já vistos no Brasil. Percorreu por vários anos o gigantesco sistema fluvial do Amazonas, mapeando para o então governo imperial muitas regiões desconhecidas na época. Barbosa Rodrigues batizou o sítio recém-achado de Miracangüera.

Amazônia

Quando finalmente chegou ao local apontado, perto de onde hoje está a cidade de Itacoatiara, Barbosa Rodrigues localizou o único caboclo que sabia onde achar aquele artesanato raro. Depois de muita insistência e de ganhar algum dinheiro, o caboclo mostrou ao cientista o local exato onde havia grande quantidade daquela cerâmica tão rara. Cacos de louça eram vistos aos milhares, com riqueza de formas nunca vista em qualquer outro sítio arqueológico brasileiro.

Pesquisas exaustivas mostraram que a maioria das peças de cerâmica tinha finalidade ritual, havendo vasos para a queima de incenso e cinzas de mortos. Pratos e tigelas cobertos por uma camada fina de barro branco também foram achados. Algumas das cerâmicas representavam animais noturnos, como corujas e morcegos. Barbosa constatou que havia sempre uma figura humana nas vasilhas mortuárias. Havia ainda vasos “masculinos” e “femininos”, imitando pênis e vulvas.

Barbosa Rodrigues notou que o sítio arqueológico era voltado para a direção do nascer do Sol (Leste). Ele encontrou muita dificuldade para identificar a tribo responsável por aquelas obras de arte, já que as tribos da região não possuíam cerâmicas tão evoluídas quanto aquelas. Barbosa só revelou a existência do local em 1887, possivelmente para mantê-lo em segredo até que tivesse condições de voltar com uma expedição melhor equipada, o que nunca conseguiu. A repercussão da descoberta não foi a esperada pelo famoso explorador.

Em 1900 uma parte das peças recolhidas por Barbosa em Miracangüera foi enviada para os Estados Unidos. O governo brasileiro da época não se interessou em tê-las de volta. Participantes de um congresso de Arqueologia que ocorreu no Rio de Janeiro em 1978 denunciaram a apropriação indébita dos americanos, mas o Itamaraty nada fez até hoje.

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João Barbosa Rodrigues faleceu em 1909. Em 1925, o famoso antropólogo Kurt Nimuendaju tentou encontrar Miracangüera, mas a ilha já tinha desaparecido nas águas do rio Amazonas. Arqueólogos americanos também vasculharam áreas arqueológicas da Amazônia, inclusive no Equador, Peru e Guiana Francesa, no final dos anos 40. Como não conseguiram achar Miracangüera, “decidiram” que a descoberta do brasileiro tinha sido “apenas de um sítio da chamada ‘Tradição Policrona’ ou seja, uma sub-tradição de agricultores andinos”.

Porém, nos anos 60, um outro americano lançou nova interpretação para aquela cultura, concluindo que o grupo indígena de Miracangüera não era originário da região, como já dizia Barbosa Rodrigues. Trata-se de um mistério relativo a uma civilização perdida que talvez não seja solucionado nas próximas décadas.

Em pleno século 21, a cultura miracangüera continua oficialmente “inexistente” para as autoridades culturais do Brasil e do mundo.

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